“Hoje cheguei em casa e encontrei o quarto arrumado. Achei a cama feita, fronha trocada, piso limpo, violão na capa, livros empilhados, discos na caixa, sensação de abraço apertado. Naquele instante a vontade que dava, era a de dar meia volta, fechar a porta de novo, abrir o coração e dizer: ei, arruma aqui dentro também?
Sonho que alguém pudesse abrir o peito feito gaveta, limpar a bagunça, tirar as toalhas molhadas de cima do peito, jogar fora os papeis de carta amassados em cima da mesa, limpar o pó e varrer as pessoas que não deveriam morar mais ali, pra fora, e não pra debaixo do tapete, como eu sempre faço.
Quarto arrumado é vida arrumada, como diz minha mãe. Mal sabe ela que o quarto agora está impecável, mas minha cabeça ainda coleciona insônia. Talvez exista uma ligação secreta entre a bagunça e a memória. Ou entre o rosto e as gavetas. Por fora, parecem lindos e risonhos. Lá por dentro, escondem mistérios, coisas e guardados que nem eles mesmos conhecem. Ou fingiram esquecer.
Hoje cheguei em casa e encontrei o quarto arrumado. Mas aquilo representou mais que apenas um quarto arrumado. Foi como se a vida tivesse me dado mais uma chance de bagunçar tudo de novo, ou de manter aquilo ali, do mesmo novo jeitinho que eu encontrei. Manter o lençol esticado, o violão na capa, os discos na caixa, a fronha trocada e o piso limpo.
Às vezes a gente acha que tudo é intransponível, imutável e indigesto. Às vezes, o que falta é só disposição, ou um novo motivo para seguir em frente. Enfrente. Acordar meia hora mais cedo, dormir duas horas depois, pegar um ônibus errado, saltar um ponto antes, trocar de rua, ler um livro ruim, beber um café amargo, um refrigerante sem gás, comer alface puro, ou descascar cebola, sentir o cheiro de batata-frita, rolar na grama, pisar na lama, tomar banho de sol, de chuva e até de lua. Ainda se fazem coisas deliciosamente impossíveis de se tornarem possíveis. É que a gente nunca muda nada e reclama da rotina.
Naquele instante a vontade que dava, era a de dar meia volta, fechar a porta de novo, abrir o coração e dizer: ei, arruma aqui dentro também? É que a gente acha, que drama, cura feridas. É que a gente sonha, que pedindo todo dia pra esquecer, não rezar toda noite fazendo lembrar. É que a gente pensa que tudo é pra sempre, pra ontem, pela primeira ou pela última vez.
Aqui por dentro, escondem-se mistérios, coisas e guardados que nem eu mesmo conheço. De todos, meu pior defeito e a minha melhor qualidade, é nunca deixar de acreditar no amor. É que eu ainda acho que alguma coisa depois daquela esquina, ali na outra rua, outro estado, país, planeta, galáxia ou do outro lado do arco-íris, me espera com um sorriso do tamanho da minha vontade de sorrir de volta. Dizem que existem tesouros escondidos por todos os cantos. Hoje, encontrei meu quarto arrumado.”
— Tesouro Escondido - Matheus Rocha
“Eu espero que você volte, mas, isso não significa que não vou abrir espaço para outras pessoas. A porta vai estar sempre aberta, mas, talvez a casa já esteja ocupada.”
“2:00 AM e o celular toca, eu olho pro criado mudo e vejo a luz refletindo na minha cara, me viro pro outro lado ignorando a chamada. “Deve ser algum dos meus amigos bêbados”. O celular insiste em tocar.
– Saco. – Peguei o celular irritada e quem quer que fosse iria morrer no segundo seguinte. – Alô.
– Oi, você estava dormindo? – Pergunta idiota.
– Sim, aconteceu algo?
– Aconteceu.
Sentei na cama, esfreguei os olhos.
– Diga.
– Eu to com um problema.
– Que problema?
– Saudade de você. – Suspirei irritada, era isso?
– Ahhhh, você não podia ter deixado pra sentir saudade, tipo amanhã?
– Não! – Ele respirou fundo. – Eu fui tentar dormir e eu não ia te ligar, mas eu me lembrei como era bom conversar com você e ouvir sua voz.
– Você ouviu minha voz, agora dorme, por favor. Eu tenho que acordar amanhã cedo e tal.
– Eu não posso. – Ai cacete, garoto complicado.
– Por quê?
– Porque eu te quero comigo. Não consigo dormir.
– Vamos fazer o seguinte, fecha os seus olhos e ficamos no celular, você dorme e eu durmo, pode ser?
– Você não vai querer conversar?
– Eu to com sono!
– Tudo bem, vamos fazer isso. Boa noite.
– Boa noite.
Tudo ficou silencioso, meu quarto havia ficado mais escuro e por um segundo eu senti uma vontade, por um segundo eu quis ele comigo, maldito! Eu me revirei de um lado para o outro e não consegui pegar no sono, abri a boca umas seis vezes para chama-lo e não fiz, me virei de novo e o silêncio estava me irritando.
– Matheus. – Eu disse baixo. – Math, você já dormiu? Math? Math? Responde criatura. Ai que ódio de você, por que você foi dormir rápido assim.
Silêncio. É ele devia ter dormido mesmo.
– Você é um desgraçado que fica saindo e voltando pra minha vida quando bem entende, por favor, não vá dessa vez, fica. Eu sinto a sua falta. – Suspirei baixinho. – Eu ainda te quero aqui comigo.
Fiquei em silêncio, eu devia criar coragem de dizer isso sem ele estar dormindo, mas que coisa chata, me virei e fechei os olhos. Ouvi uma respiração forte do outro lado da linha.
– Eu não vou embora, não mais.
Filho da puta! Sorri.”
— Sábios diziam que você voltaria - 5:50
“Nós éramos, isso mesmo, éramos a porra de um casal que poderia ser feliz, mas nada é perfeito e nós não duraríamos para sempre. Sacanagem!
Eu ainda era menina… Lembrar do passado era bom… Eu sonhava com o marido perfeito, com o cara que iria gostar de mim e me amar, que enfrentaria tudo para estar comigo, que eu me apaixonaria todos os dias quando eu acordasse e ele estivesse ao meu lado, deitado na mesma cama que eu e sorrindo por me encontrar ali, era para ser o cara perfeito, mas foi você o cara mais imperfeito, o cara mais errado, o mais confuso, o que nunca sabia o que queria, o que sempre ia e vinha e era você que me tirava o sono, era você que me deixava irritada, era você que para o meu azar, eu amava.
Nossos dias juntos foram bons, não, bons é pouco, foram maravilhosos, você me fez assistir aquele seu filme preferido, filme chato e bota chato naquilo, mas era com você e isso fazia ser bom, não sei se pelo fato de ficar com os pés jogados em cima das suas pernas ou por sair te beijando feito louca no meio do filme, incrível que do seu lado eu não sabia me controlar, justo eu, que ao lado de tantos outros era a pessoa mais controlada do mundo.
– Não sei se quero continuar falando sobre as coisas boas. – Eu disse, colocando um ponto final no texto que eu acabava de escrever.
– Eu gosto de ouvir sobre coisas boas. – Ele passou pelo quarto pegando suas roupas jogadas no chão e colocando dentro de uma mala.
– Não pedi sua opinião.
– Vai me evitar por quanto tempo?
– Até a hora que você sair daquela porta para fora. – Apontei para a porta atrás dele. –Porque tecnicamente você não estando aqui, eu não preciso te evitar.
– Esta na defensiva de novo, você não muda nunca. – Ele jogou os braços para o alto.
– Foda-se, a defensiva é minha.
Eu sei o que vocês vão achar, vocês pensam que ele provavelmente irá chegar perto de mim e acabar me beijando e tudo isso fica bem no final, mas não, ele não irá me beijar, ele não vai ser romântico e não vamos acabar numa cama sem nossas roupas. Todo o fim é aceitável, mas o nosso era mais que aceitável. Mentira! Eu não queria, o que eu queria era que você tentasse por nós, por você e por mim. Poxa, você poderia ser menos covarde, ter menos medo do que iria acontecer com nós dois. Você lembra quando passamos embaixo daquela árvore e tivemos que nos abaixar? Nós rimos e naquele dia eu me senti feliz, só que você não tem noção de como eu me senti feliz, foi mais do que no dia que demos nosso primeiro beijo, aquele beijo meio sem jeito, você todo tímido e lindo com aquele sorriso torto e cabelo bagunçado. Cara, eu te amava. Eu te amo. E você? Qual é a porcaria do seu sentimento? Dane-se eu não preciso mais saber, acabou.
– Posso pegar meus filmes?
Cara, você não sabe partir sem fazer tanto barulho? Sem me bagunçar por inteira? Você não sabe pegar suas coisas e apenas partir, sem fazer doer e sem eu ter a certeza de que você nunca mais irá voltar? Você é realmente um porre, o porre mais bem aproveitado que já tomei e acredite, eu preferia estar bêbada, porre alcoólico é menos doloroso do que ver você indo embora.
– Pegue o que tiver vontade. – Só não me leve junto, pegue tudo o que tiver que pegar e me deixe de verdade, se você ousar voltar, irá doer mais, então leve tudo, carregue tudo que possa me lembrar você ou eu jogo fora, jogo mesmo e não sorri, larga essa foto. Droga!
– Lembra desse dia? Você odeia tirar fotos, acho isso engraçado. – Eu não. – Posso levar esse retrato comigo?
– Claro.
– Obrigado. – E ele continuava sorrindo, porcaria.
Se ele continuar tirando a minha atenção eu vou arrebentar a cara dele, é eu não vou.
O fato é que você me ferrou, você chegou sendo o cara errado, mas era o meu cara errado e sendo meu parecia ser tão certo, e acordar com você ao meu lado, te ver sorrindo, te beijar pela manhã, isso tudo foi aquilo que eu imaginava antigamente, tudo e mais um pouco do que eu imaginava, mas você assim como outros caras errados tinha que partir, só que dessa vez eu deixei, porque nós não éramos os certos para a vida do outro, você tinha sonhos diferentes dos meus, responsabilidades diferentes das minhas, você há um certo tempo havia se tornado alguém que eu não conhecia mais e que eu não conheço ainda. Eu só tinha que te tirar da minha vida, isso não seria difícil, não seria se você não ficasse passeando pela minha cabeça, trazendo lembranças boas do que foi bom em nós, eu desisti de você e desisti de mim, desisti de tentar e continuar sonhando. Agora eu só quero que você saiba, que mesmo doendo, que mesmo sendo ruim, você é só mais alguém que eu já sabia que iria embora, você só não podia ter me deixado desistir.
– Ahn, adeus.
– Adeus.
Você fechou a porta e não aquela porta do pequeno apartamento, mas a porta do meu coração também, você levou suas coisas e com elas boa parte de mim foi junto, mas não me devolve nada não, eu me levanto e me reconstruo, eu mudo e me reinvento, me crio para outros, porque igual eu fui com você, não serei com mais nenhum, mas vou encontrar outros caras errados por ai, vou te esquecer com eles e terei que esquecer eles com outros, quem sabe nesse troca-troca de caras errados eu não encontre o que eu realmente quero… É eu queria você.
Eu sei que com o passar do tempo fui sumindo aos poucos da tua vida, perdendo essa vontade de saber o que você faz por ai, mas sabe, eu te excluí de todas as minhas redes sociais, só que esqueci de excluir você do lugar principal, o meu coração.”
— I don’t want you to stay - 5:50
“Sabe aquele sonho que você teve um dia de um futuro infinito com a pessoa que você ama? Da casa que obterão, com os filhos bajulando vocês. Das viagens que planejavam fazer e de repente, por um simples erro, um pequeno espaço que parecia enorme, por aquela discussão boba que parecia ter solução no dia seguinte quando vocês já estavam mais calmos. Sem perceber, o sonho se acaba, um sempre acaba dando um passo a frente e deixando o passado para trás, pelo menos um pouco dele. Então, você perde o chão, o medo aparece dentro dessa pessoa valente que você pensava que era, e o seu estômago parece dar infinitas voltas dentro de você, causando um inconforto nunca antes sentido, fazendo sua coragem voltar, e seu inesperado orgulho sumir e ir atrás da pessoa que sempre te confortava, você fez de tudo pra trazer ela de volta, pelo menos te pareceu suficiente, mas não o bastante para juntar os pedaços e retomarem seu caminho juntos, e aí que seu coração foi partido, você fica arrasado, procurando um só motivo entre tantos que houveram, e conforme você pensa, o tempo passa, e junto cria-se um distanciamento irreconhecível para os dois, e sem saber a saída você espera o tempo resolver tudo, no seu canto, só esperando algo mudar, mais nada muda, além dos dias que se acabam toda hora que você olha no relógio, já é meia noite, e mais um dia já foi. Mas amanhã é um outro e novo dia, tudo parece acontecer, mesmo sabendo que se nenhuma mudança ocorrer, um outro dia quem sabe algo vai acontecer, e é alimentando essa esperança por dias, que dos dois lados da história vocês vão se tornando completamente estranhos. A sua barba começa a crescer, e ela fica mais linda a cada dia que passa. Você começa a procurar novos hábitos, e ela procurando sempre uma distração. Cada um sai pro seu lado, vivendo suas respectivas vidas, conhecendo novas pessoas, até que um dia você descobre que a tal pessoa que você queria ter um futuro junto, que era o amor da sua vida, acabou nesse tempo conhecendo outra pessoa.
É aí que o seu coração se parte de novo, o estômago se embrulha, a raiva se acumula, o sangue ferve, as esperanças se acabam, e você percebe que saudade demais atrapalha, enquanto foi só saudade era tempo, mas saudade demais não trás ninguém de volta, apenas significa um espaço entre pessoas que se amam e acham que nada mais tem solução, a não ser porque você parecia bem sem ela, se divertia mais, ria mais, saia mais, vivia mais. E no meio de toda essa competição, um levou medalha de bronze e o outro de prata. Porque mesmo estando com uma outra pessoa, dando grandes passos à frente, seu maior inimigo sempre vai ser a memória, aquela na qual não se apaga nem depois do décima dose de vodka, e nem depois de acordar pela primeira vez sem pensar nela ao levantar da cama. E você vai compreender que mesmo daqui a cinquenta anos alguém vai falar o nome dela, e você ainda vai saber quem é. O amor é que nem um elástico o primeiro a soltar, sempre machuca o outro e mesmo que essa pessoa faça parte do seu passado, de alguma maneira você sempre vai sentir falta dela. Agora aprenda a conviver com isso, ninguém morre de amor, levanta o corpo da cama, enterra a preguiça, esquece a solidão, vai viver a vida, dias melhores estão por vir, e você ainda precisa conseguir sua medalha de ouro.”
— Memórias de um amor - Flávia Tozzi
“– Eu te amo.
– Por que você me ama?
– Sem motivos, eu apenas te amo por muitas coisas.
– Argumento inválido.
– Ah qual é.
– Acredite que de amores sem motivos já tive de monte e desses a única coisa que trago é a tristeza de lembrar que um dia os deixei pertencer a minha vida.”
— amores - alguém
“Eu vou contar pra todo mundo vou pichar sua rua, vou bater na sua porta de noite, completamente nua quem sabe então assim… você repara em mim.”
— Ana Carolina - Confesso 5:50
Está bem, vou começar.
A dificuldade é que eu nunca sei por onde começar, mas vamos lá… Toda vez que eu escuto essa música, não importa a versão ou quem está cantando, mas sim a música, eu sinto como se tudo pudesse realmente dar certo. Como se eu pudesse acordar e sentir que estar amando alguém é tão bom quanto eu penso ser, que não importa se é difícil ou fácil, mas que o que vale a pena é aquilo que você sente por alguém, é aquilo que você quer construir com a pessoa. Muitas vezes você ama alguém que está longe e acha que seria impossível viver algo verdadeiro com ela, mas acredito que se os dois quiserem eles irão conseguir estar um ao lado do outro, mesmo que por poucas vezes, mas eles darão um jeito. Existem também as pessoas que se amam perto e por algum motivo (que existem vários, acreditem) não vivem aquilo que querem por medo de errar, de magoar, de não ser capaz de fazer o outro feliz, por medo de ser magoado no final, só que mais uma vez eu digo que se os dois querem, eles vão conseguir passar por tudo, tudo mesmo. Sabe, vale a pena lutar por quem você ama, vale a pena arriscar tudo e tentar, vale a pena acordar sorrindo e sentir que alguém de algum lado da cidade, estado, país ou mundo te ama, vale a pena acreditar que existe esse amor verdadeiro e poder sair nas ruas e ver que as coisas não são tão ruins assim, porque tem alguém, existe alguém em algum lugar que está te esperando, que está preocupado com você, vale a pena acreditar que amanhã o dia vai ser melhor, porque alguém provavelmente irá te acordar com uma mensagem de bom dia, dizendo que está com saudade e queria você pertinho, para os sortudos que tem essa pessoa ao seu lado, acordar e ganhar um beijo de bom dia ou um eu te amo sincero. Vale a pena sentir essa sensação de querer, poder e estar.
Eu sei que nem todos os amores acabam bem, que nem tudo dura para sempre, mas que enquanto você estiver vivendo isso, você faça valer a pena, para que quando chegue ao fim, você consiga se recordar de que isso te fez melhor, te fez feliz, te fez sorrir, te fez acreditar que as coisas não foram em vão, que cada segundo com essa pessoa foram realmente especiais, foram realmente necessários, foram os melhores e que em vez de você chorar, você consiga sorrir… E eu sei que lembrar de um sorriso, um olhar, uma risada ou o que for que venha daquela pessoa, pode causar dor, você está com saudade e isso é algo inevitável, mas sentir saudade é uma forma de lembrar que aquilo foi bom e acredite se foi bom dará saudade por muito tempo, mas continue acreditando que amanhã será um dia melhor, talvez com um novo grande amor ou com um velho amor, não importa, mas será um dia melhor.
“Hoje resolvi falar sobre ela, não que isso seja uma tarefa fácil, ta, ela não é uma tarefa fácil. Ela é um poço de defeitos. Confusa, do tipo que da um passo á frente, e uns dez pra trás, ela nunca vai falar o que ta sentindo na hora certa, vai deixar pra uma hora que aquilo não tiver mais sentido algum. Ela é estranha, e com ela não existe isso de “equilíbrio” ela é sempre o extremo, a ponta da linha, ela é dramática demais, chata demais, tudo demais. Você pode esperar tudo dela, mas, ela acaba fazendo o que você nunca esperava, é imprevisível. Ela é linda, tem uma risada que me desequilibra, perto dela eu me sinto tão… é tipo assim, ela é o oceano, enquanto eu sou gota d’agua. Me incomoda que ela fale pouco sobre ela, mas, é sempre assim, ela prefere que você se foda pra tentar descobrir o que ta passando na cabeça dela, e não é fácil, outra vez, ela faz questão de te dar mil opções, e resolve dar a verdadeira pro final. Já disse como ela é idiota? Ela é, se bem que ela disfarça bem, mas, no fundo, ela adora idiotices, é apaixonada por pessoas idiotas. Ela é apaixonada, eu não sei exatamente pelo quê, deve ser uma coisa muito maneira, porquê eu sinto vontade de me apaixonar também. No fundo, ela acredita nas pessoas, lá no fundo, ela quer que tudo dê certo. Ah, ela é mestre em fugas repentinas, deveria ser professora disso. Ela é uma crise, sabe a ultima combinação do cofre? Então, ela passa longe disso, eu suponho, que nunca vá conseguir adivinhar ou entender as loucuras dela. Ela me assusta, ela me encanta, ela é complexa, incompleta demais, parece que o tempo todo ela anda perdendo peças dela por aí, se ela fosse um quebra cabeça, ia ser mais fácil pra mim, um pouco de tempo, paciência, e dedicação, seriam o bastante, mas, ela não ta nem perto de ser um quebra cabeça, ta mais pra projeto inacabado de laboratório, a Sinfonia que Mozart não conseguiu tocar, a ideia que Einstein não teve, a frase que Shakespeare esqueceu de escrever, aparentemente, essas coisas, ninguém sente falta, mas, cara, ela nasceu pra fazer falta. Ela é saudade. Não me resta muito tempo com ela, eu acho. Ela é uma criança, um campo minado, as vezes eu tenho a impressão que ela é um exercito, depois, eu a vejo outra vez, tão pequena, tão perfeita, e escuto a respiração dela no telefone, e acima de tudo, ela é o meu mundo. Ela tem umas manias bem particulares, conheço poucas, bem que eu queria que ela fosse um pouco menos fechada, mas, meu passatempo predileto, é tentar descobri-la. Ela faz o gênero missão impossível. Ela é um problema, um problemão, ela balança com minha estrutura, vai entender, talvez eu devesse andar com um daqueles tubinhos de jato para asma. Ela é bem agridoce, tem um jeito meio embriagado, outro responsável demais, do tipo que não foge de casa no meio da noite pra ir olhar o céu lá fora, acho que ela gosta disso, ficar no lugar dela, o espaço dela, já disse que ela tem um “Keep Out” na cara, acho que faz isso pra facilitar as coisas. Depois de tudo, ela é simples, tá… depois de muito, ela é bem simples, digo, a essência, ela é impossível, deve ser por isso que eu a amo, é isso. A impossibilidade de finalmente entendê-la, e saber o que falar pra ela na hora exata, o que não falar, conosco é tudo muito improvável, muito acidental, ela é meio desastrada, cá entre nós, ela tem um queda por desastres, meu plano com ela é simples, se der errado, dane-se, tento outra vez. É estranho, ela deveria ter vindo com um manual, sei lá, umas dicas, mas, ta tudo bem, pra uma pessoa apaixonada por idiotas, com uma habilidade peculiar de confundir as pessoas, e por ter um aptidão por desastres, ela ganhou pontos comigo. Foi desenhada assim, toda sei lá, só pra me fazer feliz. Se você passar um dia com ela, não vai entender 1% do que eu to falando, se passar uma vida com ela, vai continuar no 0x0. É que, ela é um livro inacabado, a parte “tcham” da história, ela acaba comigo, me sinto completamente desprotegido, literalmente, ela é minha kriptonita. Ela foi feita pra mim, eu só não sei como dizer isso pra ela.”
— Sorry, I’m not Chuck Bass.
“Agora, que faço eu da vida sem você?
Você não me ensinou a te esquecer
Você só me ensinou a te querer
E te querendo eu vou tentando te encontrar
Vou me perdendo
Buscando em outros braços seus abraços
Perdido no vazio de outros passos
Do abismo em que você se retirou
E me atirou e me deixou aqui sozinho
Agora, o que faço eu da vida sem você?
Você não me ensinou a te esquecer
Você só me ensinou a te querer
E te querendo eu vou tentado me encontrar.”